Entrar, pela primeira vez, numa sala de negociação da COP30 foi como atravessar uma fronteira invisível entre o que sempre observei de fora e o coração pulsante onde as decisões internacionais realmente ganham forma. A pauta era a agenda de adaptação climática , um tema urgente para quem vive, como nós do Sul Global, os impactos da crise no cotidiano, antes mesmo que eles virem números ou relatórios. Mas, naquele espaço, quase tudo era discutido em inglês técnico, rápido, cheio de siglas e camadas de diplomacia. A barreira linguística não era apenas sobre palavras: era sobre compreender a arquitetura do plano internacional de adaptação e perceber como, apesar de global, o processo ainda segue distante da realidade de quem mais precisa de respostas.