Campanha pela formalização dos empregos verdes convida organizações a assinarem nota técnica em apoio

Documento propõe incluir a formalização dos empregos verdes no Mapa do Caminho da Reindustrialização Verde e pressiona Governo Federal e Congresso Nacional às vésperas da COP30, em Belém

Imagem: Lalo de Almeida | Folhapress


A campanha Meu Trabalho É Digno, liderada pela Palmares Lab, lançou uma nota técnica pela formalização dos empregos verdes no Brasil e abriu a assinatura do documento para organizações, coletivos e pessoas comprometidas com a transição ecológica justa. A proposta parte do diagnóstico de que o país já tem uma economia verde em funcionamento, mas ela é sustentada majoritariamente por trabalho informal, sem direitos, proteção social ou reconhecimento.

Pescadoras, catadoras, agricultoras e trabalhadoras florestais e da reciclagem estão entre as categorias que movimentam essa economia na prática — e entre as que menos acessam os benefícios da formalização. Para a campanha, não existe transição justa sem trabalho digno, e formalizar os empregos verdes é condição básica para que a resposta à crise climática produza também justiça social.

O TAMANHO DO PROBLEMA

Levantamentos recentes dimensionam a informalidade nesse setor. Segundo o Data Brief - Potencial da reindustrialização verde e circular para a geração de trabalho digno e transformação socioeconômica no Norte e Nordeste do Brasil, realizado pela Palmares Lab e divulgado em janeiro de 2026, 73,7% dos trabalhadores em ocupações e setores verdes nestas regiões estão na informalidade, quase o dobro da taxa média nacional (38%). Mesmo entre os empregos formalizados, 48,9% não têm vínculo regular, segundo o Estudo Empregos Verdes 2025, realizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em parceria com o Dieese. Os rendimentos desses trabalhadores também são mais baixos: no primeiro trimestre de 2025, o salário médio nacional superava em 29% o dos trabalhadores em empregos verdes, diferença que chega a 62% nas ocupações de setores potencialmente verdes. O estudo, baseado em dados da Pnad Contínua e da Rais, identificou 2,9 milhões de pessoas nesses trabalhos — 57,2% delas homens negros, e mais da metade sem o ensino médio concluído.

Um levantamento do UNICEF, divulgado em junho de 2025 por meio da iniciativa 1 Milhão de Oportunidades, usa metodologia distinta, baseada na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), e chega a uma estimativa mais ampla: 6,8 milhões de empregos verdes no Brasil, quase 9 em cada 100 vínculos empregatícios do país, dos quais 2 milhões são ocupados por adolescentes e jovens de 14 a 29 anos. O mesmo estudo mostra que essas vagas se concentram em grandes centros urbanos (53% do total, ante 43% do emprego geral), o que reforça o apagamento de quem sustenta a economia verde fora das capitais — inclusive nos territórios do Norte e do Nordeste, regiões historicamente marcadas pelos maiores índices de informalidade do país.

O QUE A NOTA TÉCNICA PROPÕE

  • Reconhecer e formalizar os empregos verdes que já existem no Brasil;

  • Incluir a formalização dos empregos verdes no Mapa do Caminho da Reindustrialização Verde, documento que orienta a política climática nacional;

  • Garantir que a transição ecológica gere trabalho digno como condição — e não como consequência eventual — do processo.

A proposta será levada ao Governo Federal e ao Congresso Nacional — com atenção especial às candidaturas à Câmara dos Deputados e ao Senado em 2026 — e a espaços estratégicos da política climática, para que a formalização dos empregos verdes entre nas decisões que definem o futuro da economia brasileira.

COMO APOIAR

Organizações, coletivos e pessoas que reconhecem o trabalho digno como parte central da transição ecológica podem assinar a nota técnica pelo formulário: https://docs.google.com/forms/d/1pEf5et2NL-BiuIZ4tT9krQnOwERuDnPL5eFwvklX5iE/viewform. Quanto mais organizações e pessoas assinarem, mais força política a proposta ganha diante de quem decide os rumos do país.

SOBRE A CAMPANHA MEU TRABALHO É DIGNO

Meu Trabalho É Digno é uma campanha de direitos trabalhistas e transição justa que denuncia a informalidade nos empregos verdes no Norte e no Nordeste do Brasil. Combina mobilização digital, presença em festivais e articulação política para incidir sobre a agenda climática nacional, com o objetivo de garantir que a transição ecológica não repita — nos chamados empregos verdes — os mesmos padrões de precarização e invisibilidade que historicamente atingem trabalhadoras e trabalhadores pretos, indígenas, quilombolas e periféricos.

SOBRE A PALMARES LAB

A Palmares Lab é um laboratório de tecnologias sociais, pesquisa, narrativas e políticas públicas com atuação no Norte e no Nordeste do Brasil. Idealizada por Vitória Pinheiro, mulher trans afroindígena do bairro de Zumbi dos Palmares, em Manaus, a organização mobiliza soluções comunitárias, criativas e locais para a crise climática, fortalecendo lideranças e a perspectiva de pessoas pretas, indígenas, quilombolas, LGBTQIA+ e periféricas na construção da justiça climática no país.