Como Icoaraci, Cotijuba e Caratateua Têm Feito Soluções: Saberes Tradicionais e Protagonismo Comunitário na Casa da COP do Povo

14 de nov. de 2025

Na Casa da COP do Povo, o painel “Como Icoaraci, Cotijuba e Caratateua têm feito soluções” destacou o protagonismo dos saberes tradicionais e das comunidades locais. A atividade foi realizada pelo Palmares Lab, em parceria com o Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB) e o Instituto Bamburusema de Cultura Afro/Amazônica (IBAMCA), em um encontro marcado pela escuta e pela valorização das práticas comunitárias que nascem nas ilhas e nos bairros periféricos de Belém. O debate reuniu lideranças locais, mulheres de movimentos comunitários e representantes de organizações que constroem, diariamente, soluções concretas para os desafios climáticos e sociais da Amazônia urbana.

Na Casa da COP do Povo, o painel “Como Icoaraci, Cotijuba e Caratateua têm feito soluções” destacou o protagonismo dos saberes tradicionais e das comunidades locais. A atividade foi realizada pelo Palmares Lab, em parceria com o Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB) e o Instituto Bamburusema de Cultura Afro/Amazônica (IBAMCA), em um encontro marcado pela escuta e pela valorização das práticas comunitárias que nascem nas ilhas e nos bairros periféricos de Belém. O debate reuniu lideranças locais, mulheres de movimentos comunitários e representantes de organizações que constroem, diariamente, soluções concretas para os desafios climáticos e sociais da Amazônia urbana.

Na abertura, destacou-se a importância de movimentos e articulações que acontecem fora das zonas oficiais da COP, enfatizando que, quando o evento internacional terminar, o que realmente permanecerá são as pontes e trocas construídas entre territórios e experiências locais. Essa reflexão reforçou o papel estratégico das casas e espaços autônomos da sociedade civil — lugares onde o diálogo é horizontal e onde o conhecimento das comunidades é reconhecido como ciência e prática transformadora.

Em seguida, Adriana, integrante do MMIB, compartilhou a trajetória da organização em Cotijuba. Ela ressaltou a importância das parcerias entre movimentos e organizações da sociedade civil, especialmente diante das dificuldades de cooperação efetiva com o poder público. Segundo Adriana, as experiências comunitárias ganham força quando nascem da base e têm continuidade nas mãos das próprias mulheres e famílias das ilhas. Ela também destacou o papel dos quintais produtivos — espaços de cultivo de alimentos, ervas e plantas — como ferramentas de autonomia e empoderamento, fundamentais para a soberania alimentar e para a manutenção da qualidade de vida nas comunidades.

Na sequência, Ila reforçou a necessidade de manter vivos os saberes tradicionais. Ela abordou o uso de plantas e ervas medicinais como prática ancestral que tem se perdido diante da crescente dependência de medicamentos industrializados. Ila fez um chamado à valorização dos mais velhos e à inclusão das pessoas idosas nos debates sobre clima e sustentabilidade, lembrando que essa população carrega uma sabedoria essencial para a adaptação e o cuidado comunitário, mas que costuma ser invisibilizada nas grandes discussões sobre o futuro.

Quando o espaço foi aberto para contribuições do público, emergiu um consenso: o resgate, o fortalecimento e a manutenção dos saberes tradicionais são elementos centrais para o pertencimento e a resistência nos territórios. As falas apontaram que cuidar do ambiente é também cuidar da memória, das histórias e das práticas que sustentam a vida nas comunidades amazônicas, unindo conhecimento popular, ancestralidade e inovação social.

O painel evidenciou que as soluções para a crise climática não estão apenas nas negociações internacionais ou nos grandes compromissos firmados em conferências, mas nas ações cotidianas que já acontecem em lugares como Icoaraci, Cotijuba e Caratateua. São iniciativas que combinam cuidado com a terra, solidariedade, economia local e respeito à cultura — demonstrando que a resiliência climática nasce das comunidades e dos saberes que permanecem vivos apesar das desigualdades.

Mais do que uma conversa, o encontro na Casa da COP do Povo foi um ato político de reconhecimento: o de que a Amazônia urbana, com suas ilhas e periferias, é um território de soluções vivas e coletivas. As vozes que ecoaram naquele espaço lembram que justiça climática é também justiça territorial, cultural e geracional — e que é preciso garantir que essas experiências sejam ouvidas, apoiadas e fortalecidas como parte central da construção de um futuro sustentável.