Festival FALA! retorna a Salvador para discutir os futuros do jornalismo de causas
Em sua 7ª edição, evento reúne jornalistas, pesquisadores, comunicadores populares, estudantes e coletivos entre os dias 20 e 22 de agosto

Imagem: Fernanda Maia
O Festival FALA! retorna a Salvador entre os dias 20 e 22 de agosto para reunir jornalistas, pesquisadores, comunicadores populares, estudantes, coletivos e organizações de diferentes regiões do Brasil em torno dos desafios e das transformações do jornalismo de causas e da comunicação comprometida com o interesse público.
Depois de passar por Belém, Recife e Brasília, o festival chega à sua sétima edição com o tema “Comunicação que atravessa o tempo e as telas”. A programação propõe discutir quem produz informação, os caminhos encontrados pelas mídias independentes para se reinventar no ambiente digital e o papel da memória, do afeto e das comunidades na construção de novas narrativas em um cenário de rápidas transformações tecnológicas.
A escolha de Salvador para sediar novamente o evento também está relacionada à trajetória da capital baiana como espaço de produção cultural, mobilização social e organização de movimentos negros e populares. Para o festival, discutir comunicação na cidade significa também refletir sobre memória, identidade, desigualdades e sobre a construção de narrativas produzidas a partir dos próprios territórios.
O Festival FALA! 2026 é gratuito e aberto ao público, mediante inscrição prévia. As oficinas possuem vagas limitadas. As inscrições podem ser realizadas no site oficial do evento.
Três dias de debates, oficinas e atividades culturais
A programação será distribuída ao longo de três dias, com mesas de debate, oficinas, rodas de conversa, exibições audiovisuais e intervenções culturais.
A abertura, na quinta-feira (20), será marcada por uma mesa inspirada no pensamento do geógrafo Milton Santos e na obra da pesquisadora Rosane Borges. O debate pretende discutir imaginários emergentes, visibilidade e o protagonismo de mulheres negras na disputa pela construção de narrativas.
Na sexta-feira (21), a programação aborda a relação entre tecnologias ancestrais e digitais, os desafios da produção de informação diante das mudanças tecnológicas e as conexões entre raça, identidade e produção de conhecimento. O dia será encerrado com o Cine FALA, que exibirá reportagens produzidas pelos coletivos vencedores do Edital FALA! 2026.
O sábado (22) será dedicado aos futuros da comunicação e do jornalismo de causas. Entre os destaques estão um tributo ao Movimento Negro Unificado (MNU), à Unegro e ao legado de Mãe Hilda Jitolu, além de debates sobre juventude negra, inovação, comunicação comunitária e o protagonismo de mulheres negras em seus territórios.
As atividades artísticas também estarão presentes durante os três dias, reforçando a cultura como parte da construção de novas narrativas e das práticas de comunicação e jornalismo.
Homenagens a Milton Santos e Ana Célia da Silva
A sétima edição do Festival FALA! também presta homenagem a duas referências na construção do pensamento crítico e da educação antirracista no Brasil.
Um dos homenageados é o geógrafo Milton Santos, reconhecido por sua contribuição para os estudos sobre território, desigualdades e globalização. Seu pensamento também influenciou debates sobre as relações entre espaço, poder e sociedade.
A outra homenagem será dedicada à pedagoga, escritora e ativista Ana Célia da Silva, pioneira na educação antirracista brasileira. Sua atuação foi fundamental para a valorização da presença negra nos materiais didáticos e para a construção de mudanças que contribuíram para a implementação da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas.
Comunicação, território e fortalecimento de redes
Com curadoria da pesquisadora Rosane Borges, o Festival FALA! busca criar um espaço de encontro entre diferentes experiências de comunicação e jornalismo, aproximando profissionais, pesquisadores, estudantes e organizações que atuam na produção de informação a partir de perspectivas sociais e territoriais diversas.
A proposta é fortalecer redes e ampliar a circulação de diferentes perspectivas sobre temas que atravessam o cotidiano das comunidades, especialmente em um contexto de transformações tecnológicas e disputas pela produção e circulação de informação.
O Festival FALA! é realizado pelo Instituto FALA!, organização sem fins lucrativos criada por Alma Preta Jornalismo, Agência Pública, Marco Zero Conteúdo e Ponte Jornalismo, veículos que atuam na produção de jornalismo de causas no Brasil.