Marcha das Mulheres Negras em Belém reforça luta por democracia, direitos e participação política
As ruas do centro de Belém foram ocupadas, no último sábado, 25 de julho, por mulheres negras, organizações do movimento negro, coletivos, pesquisadoras, artistas, estudantes e lideranças comunitárias durante a 11ª Marcha das Mulheres Negras em Belém. Com o tema "Ancestralidade: um projeto de futuro que se faz agora", a mobilização reafirmou o protagonismo das mulheres negras na defesa da democracia, da justiça racial e da participação política, encerrando a programação do Julho das Pretas na capital paraense.

Imagem: Flávia Ribeiro
A concentração ocorreu em frente ao Quilombo da República (QR), de onde as participantes seguiram em caminhada pelo entorno da Praça da República antes de retornarem ao ponto de partida. Ao longo do percurso, faixas, palavras de ordem, manifestações culturais e discursos políticos deram visibilidade às pautas históricas do movimento de mulheres negras e reforçaram a necessidade de ampliar a presença dessas mulheres nos espaços de decisão.
Realizada em um ano de eleições gerais, a marcha colocou em evidência o debate sobre participação política e representatividade, defendendo o compromisso com os direitos da população negra, especialmente das mulheres negras amazônidas. A mobilização também destacou que fortalecer a democracia passa pelo enfrentamento ao racismo, ao sexismo e às desigualdades que seguem impactando a vida das mulheres negras.
Mais do que um ato público, a Marcha das Mulheres Negras em Belém consolidou-se como um espaço de articulação política, fortalecimento coletivo e construção de agendas voltadas à reparação histórica e ao Bem Viver. Desde 2016, a iniciativa reúne diferentes gerações de mulheres negras em torno da valorização da ancestralidade, da memória e da incidência política, tornando-se uma das principais ações do Julho das Pretas no Pará e parte da articulação nacional de mulheres negras.
A edição deste ano reforçou a potência da organização coletiva das mulheres negras amazônidas e evidenciou o impacto de sua atuação na defesa dos territórios, dos direitos humanos e da justiça socioambiental. Ao ocupar as ruas de Belém, as participantes reafirmaram que as lutas protagonizadas por mulheres negras seguem fundamentais para a construção de um futuro mais democrático, antirracista e comprometido com a equidade.
A marcha também marcou o encerramento de um mês de atividades da Campanha de Ativismo contra o Racismo, que promoveu debates, encontros e ações em diferentes espaços da cidade, ampliando a mobilização em torno do enfrentamento às desigualdades raciais e da valorização da contribuição histórica das mulheres negras para a Amazônia e para o Brasil.