Mutirão das Juventudes: Relatório da COP30 destaca inclusão e protagonismo brasileiro na governança climática
Documento detalha o impacto da atuação de Marcele Oliveira como Jovem Campeã Climática e as iniciativas que mobilizaram milhares de jovens nos seis biomas do Brasil e no mundo

Imagem: Fitsum Biniam
A presidência da COP30 lançou oficialmente o relatório "Destaques da Jovem Campeã Climática da COP30", um documento que registra as atividades, estratégias e o legado do cargo de Jovem Campeã Climática (Presidency Youth Climate Champion - PYCC) exercido pela ativista brasileira Marcele Oliveira. O relatório apresenta o conceito de "Mutirão das Juventudes", uma proposta inspirada na tradição brasileira e indígena de esforço coletivo para enfrentar desafios comuns, aplicada aqui à crise climática global.
Uma voz da periferia no centro das decisões
Marcele Oliveira, mulher negra da periferia de Realengo, no Rio de Janeiro, e diretora-executiva do Instituto PerifaLab, foi nomeada pelo presidente Lula em maio de 2025 após um processo de seleção inovador que mobilizou centenas de ativistas. Seu mandato teve como foco transformar a participação jovem de algo simbólico em um engajamento "significativo, estruturado e influente" dentro dos processos da ONU.
Inclusão e territorialidade: Os seis biomas em pauta
Um dos pilares do relatório é a territorialização da agenda climática. No período preparatório, foram realizadas plenárias de juventude nos seis biomas brasileiros (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal), garantindo que as realidades locais fossem ouvidas. Esse processo resultou na eleição de 12 jovens representantes de diferentes regiões para participar da conferência em Belém.
Além disso, o relatório destaca iniciativas inéditas de acessibilidade:
Cidade das Juventudes: Acomodação gratuita para 200 jovens de 80 países em Belém, com suporte de saúde mental e tradução.
Apoio a crianças: A chamada "COP das Crianças" incluiu a entrega de mais de 600 cartas de adolescentes a negociadores e a criação de espaços seguros como o Pavilhão de Crianças e Juventudes.
Impacto em números e pautas transversais
O "Mutirão" alcançou números expressivos de engajamento antes e durante a conferência:
4.200 jovens engajados diretamente em consultas e diálogos;
307 submissões de iniciativas lideradas por jovens de 46 países através do site oficial;
928 matérias publicadas na mídia, ampliando a visibilidade da pauta.
O documento também ressalta a importância de enfrentar o racismo ambiental, promovendo a justiça racial como um foco transversal. Durante a COP30, foram realizados eventos específicos sobre os impactos climáticos em territórios negros e comunidades tradicionais, além de garantir que o time da PYCC fosse composto majoritariamente por mulheres.
O Legado de Belém
Para Marcele Oliveira, o trabalho demonstrou que é necessário ter "uma mão na caneta, mas também uma mão na terra". O legado do Mutirão das Juventudes, segundo o relatório, é a afirmação de que o multilateralismo só avançará de forma efetiva se as crianças e juventudes forem tratadas como cocriadoras de soluções, e não apenas como espectadoras do futuro.
O relatório completo, que também aborda temas como financiamento climático para jovens, integridade da informação e educação ambiental, está disponível para consulta no site oficial da UNFCCC.