A América Latina e suas Amazônias não estão para ser quintal dos EUA.
10 de fev. de 2026

No início de 2026, os Estados Unidos realizaram uma intervenção militar direta em território venezuelano. A justificativa oficial variou entre combate ao narcotráfico, restauração da democracia interna e segurança regional. Mas, no fundo, a ação reacendeu um debate antigo na América Latina: até onde vai o direito de uma potência estrangeira intervir na soberania de outro país?
A intervenção estadunidense rompe limites diplomáticos e jurídicos, gerando impactos que ultrapassam as fronteiras venezuelanas. No Brasil, a opinião pública se divide: De um lado, quem afirma: “Você não precisa concordar com o que acontece na Venezuela, mas apoiar golpes contra a soberania de outro país é abrir caminho para que isso aconteça com o Brasil.”. Do outro, surgem vozes que dizem: “Trump tinha que vir aqui e fazer o mesmo.” e isso ecoou de trabalhadores do cotidiano a representantes do povo.
Essa polarização não é abstrata. Ela se traduz em discursos eleitorais, posicionamentos de candidatos e na forma como a América Latina é vista: como território soberano ou como espaço negociável diante de interesses externos. A Constituição brasileira é pontual. No artigo 4º, parágrafo único: “A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.” Apoiar ou normalizar intervenções militares estrangeiras na região vai na contramão desse princípio.
Os EUA já tem histórico de intervenção no próprio Brasil nas reformas estruturais do governo durante a ditadura militar brasileira e não pode ser continuado. As Amazônias da América Latina não são o quintal dos Estados Unidos. E o modo como o Brasil reage a isso ou se cala já está moldando o cenário político que vai às urnas em 2026. Para quem apoia uma intervenção, coloca outro país como salvador da pátria, ou restabelecedor de uma ordem.
A presença de milhares de venezuelanos vivendo nos estados amazônicos, como Amazonas e Roraima também humaniza o debate: a crise não é apenas geopolítica, ela atravessa fronteiras sociais, culturais e econômicas. Assim como é o povo venezuelano que tem que decidir os rumos do seu país, assim devem ser para o povo brasileiro.