Organizações de mulheres negras lançam manifesto em defesa do Bem Viver nas eleições de 2026
O documento destaca a dívida histórica, econômica e política do Estado brasileiro para com a população negra e defende a reparação das desigualdades geradas e a garantia da plena participação política das mulheres negras como caminhos possíveis para o desenvolvimento do país

Imagem: AMNB
A Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) lançou, no dia 26 de agosto, o “Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil: O Pacto do Bem Viver e as Eleições 2026”. O evento de lançamento foi realizado no Hotel Ramada By Wyndham, em Brasília (DF), e contou com a participação de ativistas e parlamentares negras.
Produzido a partir dos acúmulos políticos dos movimentos de mulheres negras, sobretudo no contexto da articulação da Marcha Global das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, realizada em 2025, o Manifesto propõe a construção de um sistema político referenciado no Bem Viver, posicionando a vida, o cuidado e a justiça social no centro das decisões institucionais.
O documento destaca a dívida histórica, econômica e política do Estado brasileiro para com a população negra e defende a reparação das desigualdades geradas e a garantia da plena participação política das mulheres negras como caminhos possíveis para o desenvolvimento do país. O conteúdo do documento está disponível na íntegra no site da articulação.
“Colocar as mulheres negras no centro do processo político, na qualidade de eleitoras, cidadãs, lideranças e decisoras nas instâncias de participação social, é precondição para a formulação de políticas públicas efetivas, no horizonte plural de todas as reparações necessárias e urgentes”, afirma Janira Sodré, coordenadora executiva da AMNB.
Para ela, ao lançar o Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil pelo Pacto do Bem Viver, a Articulação anuncia que as alternativas para o país passam pela experiência das mulheres negras que historicamente as constroem cotidianamente. “A incidência política coletiva amplifica a voz deste corpo político coletivo, cuja imaginação política aponta para outras formas de vida social e política, a desmoronar estas formas arcaicas das opressões, que são ruínas de um modelo superado”, conclui Sodré.