Quilombo nos Parlamentos: Iniciativa da Coalizão Negra por Direitos apoia mais de 150 candidaturas negras para as eleições de 2026

A Coalizão Negra por Direitos lançou oficialmente a iniciativa Quilombo nos Parlamentos 2026. O projeto articula mais de 150 candidaturas ligadas aos movimentos negros em nível nacional, abrangendo diversos estados do país. De caráter suprapartidário, a iniciativa não se limita a legendas de esquerda, buscando ocupar espaços de decisão em diferentes espectros políticos.

Na imagem, Sueli Carneiro, filósofa e escritora brasileira, discursa no lançamento do manifesto no Club Homs, na avenida Paulista, em São Paulo

Douglas Belchior, um dos articuladores da iniciativa e fundador da Uneafro, destacou que o lançamento é um recado direto ao país para que respeitem o projeto político do movimento negro. "Aqui estão lideranças negras de todo o país que têm condições de ocupar o parlamento e representar a maioria da população brasileira", afirmou Belchior durante o evento que aconteceu em São Paulo no dia 29 de julho. 

Esta é a segunda edição da iniciativa. Em sua estreia nas eleições de 2022, o Quilombo nos Parlamentos apoiou mais de 100 candidaturas que, somadas, alcançaram a marca de 4 milhões de votos. O resultado foi a eleição de 26 lideranças negras para o Congresso Nacional e para as assembleias legislativas estaduais.

Para 2026, figuras políticas de destaque reforçaram o coro pela necessidade de maior representatividade. A ex-ministra Marina Silva (Rede), candidata ao Senado, defendeu o conceito de "aquilombar" as casas legislativas. Segundo ela, resolver os problemas enfrentados pelo povo preto, como o racismo ambiental, significa resolver os problemas de toda a população brasileira. 

Além da articulação eleitoral, a Coalizão apresentou um manifesto com recomendações rigorosas aos partidos e à Justiça Eleitoral. Entre as principais demandas estão:

Fiscalização de recursos: Garantia de repasse e uso efetivo de verbas destinadas a candidaturas negras e femininas.

Comissões de Heteroidentificação: Implementação de bancas permanentes na Justiça Eleitoral Regional para evitar fraudes em cotas raciais.

Combate à violência política: Sanções para casos de discurso de ódio, racismo religioso e homotransfobia no conteúdo das campanhas.

A Coalizão Negra por Direitos, que hoje reúne mais de 300 organizações, segue com a estratégia de intensificar o diálogo institucional com órgãos como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), além de fortalecer a incidência política direta no Legislativo brasileiro.

*Com informações do site Brasil de Fato