Resistência e Ancestralidade: Kota Botafogo Payayá lança o livro "Payayágrafia"
O livro integra a Coleção Abre Caminhos, uma iniciativa estruturante da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) em parceria com a Fundação Pedro Calmon, que visa dar visibilidade a vozes negras e indígenas historicamente silenciadas

A literatura baiana ganha um reforço de peso com o lançamento de Payayágrafia, obra da poeta e intelectual indígena Kota Botafogo Payayá (Marilene Pereira de Jesus). O livro integra a Coleção Abre Caminhos, uma iniciativa estruturante da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) em parceria com a Fundação Pedro Calmon, que visa dar visibilidade a vozes negras e indígenas historicamente silenciadas.
Uma Escrevivência de Luta
Nascida no povoado de Maxixe, em Morro do Chapéu, Kota Botafogo Payayá traz em seus versos a força do "Corpo-Território Ancestral". A obra é definida como uma "escrevivência" que tensiona apagamentos históricos e reafirma o pertencimento do povo Payayá e de outras etnias da Bahia, como os Pataxó, Kiriri e Tupinambá.
Os poemas percorrem temas que vão da denúncia contundente contra o Marco Temporal e o genocídio indígena à celebração de saberes tradicionais, como o uso do rapé, o banho de assento e a sabedoria das ervas herdada de seus avós. Para a autora, escrever é um ato de resistência e uma forma de "adiar o fim do mundo", dialogando com o pensamento de Ailton Krenak.
A Coleção Abre Caminhos
O livro é fruto do Edital UNEB nº 027/2025, no âmbito de uma política pública voltada à promoção da diversidade cultural e ao fortalecimento das identidades baianas. A coleção reúne 16 obras de autores negros e indígenas, funcionando como um instrumento pedagógico e político para uma educação antirracista.
Nas palavras de Daniela Galdino, que assina a apresentação da obra, a escrita de Kota Botafogo é uma "escrita potente" que se irmana com quem veio antes e com quem ainda virá, sintetizada no verso: "Eu Sou meus Ancestrais / Meus Ancestrais são Eu".
Sobre a Autora
Kota Botafogo Payayá vive hoje em contexto urbano, mas mantém suas raízes profundamente fincadas na Chapada Diamantina. Sua trajetória é marcada pela busca constante de eternizar o modo de vida de seus antepassados através da arte da palavra.
A obra Payayágrafia foi publicada pela EDUNEB e possui caráter não comercial, sendo destinada à democratização do acesso à leitura e à memória nos territórios de identidade da Bahia