Venezuela sob os escombros: a história muito antes dos terremotos

Os números são assustadores — estimativas preliminares do modelo PAGER, da agência geológica americana USGS, apontam para até 40% de probabilidade de que as mortes causadas pelos terremotos na Venezuela cheguem a dezenas de milhares. Mas o que os dados sísmicos por si só não contam é o mais importante: a Venezuela chegou ao terremoto já destruída por dentro. O chão apenas fez o que décadas de má governança, dependência do petróleo e autoritarismo já haviam preparado.

Por Alana Moura a partir de informações levantadas com o Claude IA

Às 18h04 do dia 24 de junho de 2026, um terremoto de magnitude 7,2 sacudiu o estado de Yaracuy, no norte da Venezuela. Trinta e nove segundos depois, antes que o chão terminasse de tremer, um segundo abalo — desta vez de 7,5 — golpeou a mesma região. O duplo evento, denominado pelos sismólogos de doublet sísmico, transformou em ruínas partes de La Guaira, o principal porto do país, e causou o colapso de edificações em Caracas. Até a publicação desta reportagem, ao menos 1400 pessoas haviam morrido e milhares estavam feridas.

Os números são assustadores — estimativas preliminares do modelo PAGER, da agência geológica americana USGS, apontam para até 40% de probabilidade de que as mortes cheguem a dezenas de milhares. Mas o que os dados sísmicos por si só não contam é o mais importante: a Venezuela chegou ao terremoto já destruída por dentro. O chão apenas fez o que décadas de má governança, dependência do petróleo e autoritarismo já haviam preparado.

I. O DUPLO GOLPE DE 24 DE JUNHO

Não é a primeira vez que a terra sacode o norte da Venezuela com violência extrema. A cadeia montanhosa costeira que domina a faixa litorânea do país está assentada sobre o sistema de falhas Boconó-Morón-El Pilar — uma fronteira deslizante entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana, que se movem lateralmente uma em relação à outra a cerca de dois centímetros por ano. A comparação mais precisa é com a Falha de San Andreas, na Califórnia.

Em 1812, um terremoto de magnitude estimada em 7,7 destruiu Caracas e Mérida no dia de Quinta-Feira Santa, matando entre 15 mil e 26 mil pessoas. Em 1967, um abalo de magnitude 6,5 derrubou prédios residenciais na capital e deixou cerca de 280 mortos. O evento de junho de 2026 é o maior terremoto a atingir o país em mais de um século e encontrou uma infraestrutura em colapso que tornou seu impacto devastadoramente desproporcionais.

A vulnerabilidade não é geológica: é política. Mais de 20 milhões dos 31,7 milhões de venezuelanos já viviam em situação de pobreza antes do terremoto, sem acesso adequado a alimentos e medicamentos. Hospitais careciam de água encanada confiável e eletricidade. O sistema de distribuição de energia sofria apagões diários em múltiplas regiões. Estimativas preliminares apontam que os danos podem custar até 7% do PIB venezuelano — um país cujo PIB já havia encolhido mais de 80% entre 2013 e 2023.

"O terremoto jogou luz sobre um país que já estava no escuro", disse um funcionário da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) ao acessar os danos nas primeiras horas após o desastre.

Para compreender por que a Venezuela chegou tão fragilizada ao momento em que a terra tremeu, é preciso recuar mais de 500 anos, até a própria fundação de suas contradições.


II. A FERIDA QUE NUNCA CICATRIZOU: COLÔNIA E RAÇA

A Venezuela não nasceu de uma ruptura limpa. Nasceu de uma violência lenta, estratificada, codificada em lei e perpetuada por gerações. Quando os espanhóis chegaram ao litoral caribenho no final do século XV, encontraram um território habitado por dezenas de povos indígenas — Carib, Arawak, Timoto-Cuica, entre outros. Em poucas décadas, o sistema de encomiendas e repartimientos submeteu essas populações ao trabalho compulsório nas minas e plantações. Aqueles que resistiam eram mortos. Aqueles que sobreviviam, eram reconfigurados como força de trabalho descartável.

Ilustração da época retratando indígenas Carib

Para suprir a demanda crescente por trabalho nas plantações de cacau — principal produto de exportação da colônia —, Portugal e Espanha organizaram o tráfico de africanos escravizados em escala industrial. A sociedade que emergiu desse processo era rigidamente hierarquizada: peninsulares (nascidos na Espanha) no topo; criollos (brancos nascidos na América) logo abaixo; pardos (mestiços de africanos e europeus) em posição juridicamente inferior; indígenas e negros escravizados na base. Essa pirâmide racial era o fundamento sobre o qual toda a vida econômica e política da colônia se sustentava.

Os pardos formavam a maioria da população - e eram os mais excluídos dos canais formais de poder. Podiam servir nas milícias, mas apenas até a patente de capitão. O comando sempre pertencia aos brancos. Quando em 1797 os conspiradores Manuel Gual e José España tentaram organizar uma revolta contra o domínio espanhol, seu programa incluía explicitamente a igualdade racial e a república. Foram delatados, capturados. España foi executado em praça pública.

A independência, quando veio, foi em grande medida uma revolução de criollos, uma elite branca que queria se livrar do controle administrativo de Madri, não necessariamente das estruturas que lhe garantiam poder sobre os demais. Simón Bolívar, filho de uma das famílias mais ricas de Caracas, combateu os espanhóis durante anos e proclamou a independência em 1811, mas sua Gran Colômbia, o sonho de uma nação unida que abarcaria Venezuela, Colômbia, Equador e Panamá, desmontou em menos de duas décadas, vítima exatamente das tensões regionais e de classe que ele nunca conseguiu superar.

Após a independência formal, a Venezuela construiu uma narrativa nacional que celebrava a mestiçagem como superação do racismo - a famosa imagem do país como um povo café com leche, em harmonia racial. Mas sob essa narrativa persistia uma realidade invertida: a brancura seguia sendo o ideal, e as identidades afro-indígenas eram vistas como algo a ser diluído e gradualmente apagado.

Essa ferida nunca foi tratada. Ela moldou quem teria acesso à terra, ao crédito, à educação, ao Estado — e quem seria excluído, geração após geração.


III. O VENENO DOURADO: PETRÓLEO E CAUDILHISMO

No início do século XX, a Venezuela era um país pobre, rural e cronicamente instável — dominado por caudilhos regionais que se revezavam no poder pela força das armas. Foi nesse contexto que o ditador Juan Vicente Gómez chegou ao poder, em 1908, e ali permaneceu por 27 anos. Sua gestão coincidiu com uma descoberta que mudaria para sempre o destino do país.

Pintura retratando Juan Vicente Gomés


Em 1922, um poço no Lago de Maracaibo entrou em erupção — o Barroso N.2 jorrou mais de 100 mil barris de petróleo por dia durante nove dias, visíveis a quilômetros de distância. Era o início de uma transformação radical. Em menos de uma década, a Venezuela tornou-se o maior exportador mundial de petróleo. A produção saltou de pouco mais de um milhão de barris anuais para 137 milhões. Pela primeira vez na história, as dívidas externas do país foram pagas.

Gómez utilizou as receitas do petróleo para consolidar seu poder e modernizar seletivamente o país — construindo estradas, pagando credores, montando um aparato repressivo eficiente. Mas a estrutura que criou era perversa: a riqueza nacional concentrava-se em um único produto, controlado por três grandes empresas estrangeiras — Gulf, Royal Dutch Shell e Standard Oil —, que detinham 98% do mercado venezuelano.

Quando Gómez morreu, em 1935, a doença holandesa já havia se instalado: o bolívar estava supervalorizado, e o petróleo havia expulsado todos os outros setores produtivos. A Venezuela deixou de ser uma economia de café e cacau para se tornar uma monocultura de hidrocarbonetos. O historiador Jonathan Di John, na obra From Windfall to Curse? Oil and Industrialization in Venezuela (Penn State University Press, 2009), demonstra como o petróleo simultaneamente financiou a modernização e destruiu a capacidade do país de desenvolver outras bases econômicas.

O ciclo que se seguiu seria repetido, com variações, ao longo de todo o século XX: ditadores ou presidentes que controlavam o petróleo controlavam o Estado; o Estado distribuía os recursos segundo lógicas clientelistas; e qualquer queda no preço do barril desencadeava crises que sacudiam toda a estrutura social.


IV. A DEMOCRACIA PACTADA — E SUAS FISSURAS

Em 1958, após a queda do ditador Marcos Pérez Jiménez, os principais partidos políticos venezolanos assinaram o Pacto de Punto Fijo — um acordo que estabelecia as regras de uma democracia representativa: alternância no poder, respeito aos resultados eleitorais, partilha do governo entre as forças políticas. Os três signatários eram Acción Democrática (AD), o COPEI e a Unión Republicana Democrática (URD).

Por três décadas, o sistema funcionou — sustentado pelos petrodólares que financiavam programas sociais, importações subsidiadas e um Estado em expansão. A Venezuela chegou a ser uma das democracias mais estáveis da América Latina e um destino de imigração para europeus em fuga do pós-guerra. Nos anos 1970, durante o primeiro governo de Carlos Andrés Pérez, o boom do petróleo gerou uma sensação de prosperidade que ficou na memória coletiva como a era da "Venezuela Saudita".

Mas o sistema puntofijista tinha uma falha estrutural: era uma democracia que excluía sistematicamente a esquerda mais radical e os movimentos populares, ao mesmo tempo em que se tornava cada vez mais dependente do rentismo petroleiro e da corrupção. Quando os preços do petróleo despencaram nos anos 1980, a crise chegou com força.

Em fevereiro de 1989, o recém-eleito Carlos Andrés Pérez — o mesmo de outrora — anunciou um pacote de medidas de austeridade recomendadas pelo FMI: aumento das tarifas de transporte público, liberalização de preços e corte de subsídios. A resposta foi imediata e violenta. Nas ruas de Caracas e de outras cidades, a população mais pobre — aquela que nunca havia recebido sua parte dos petrodólares — explodiu em revoltas. O episódio ficou conhecido como “Caracazo”. O governo ordenou que o Exército atirasse contra os manifestantes. O número oficial de mortos foi de 276; investigações independentes estimam que possam ter sido mais de 3.000.

Carlos Andrés Pérez

O Caracazo foi o momento em que a Venezuela oficial compreendeu que o contrato social havia se rompido — mas os governos seguintes não souberam ou não quiseram consertá-lo.

Em 1992, um tenente-coronel chamado Hugo Chávez liderou uma tentativa de golpe militar. Falhou — mas o discurso que Chávez pronunciou ao assumir a responsabilidade pelo fracasso, aquele em que disse que os objetivos não haviam sido atingidos "por enquanto", lançou-o à fama nacional. Seis anos depois, ele era presidente.

V. BOLIVARIANISMO DE CHÁVEZ: PROMESSAS E CONTRADIÇÕES

Hugo Chávez

Hugo Chávez chegou ao poder em 1999 com um projeto ambicioso: reformular o Estado venezuelano, redistribuir a renda do petróleo para os mais pobres e resgatar a memória de Simón Bolívar como fundamento ideológico de uma nova Venezuela. Sua "Revolução Bolivariana" tinha como pilares a nova Constituição de 1999 — considerada por muitos constitucionalistas uma das mais avançadas do mundo em direitos sociais —, as missões sociais que levaram saúde e educação às periferias, e a estatização progressiva de setores estratégicos da economia.

Os primeiros anos foram marcados por avanços reais: a taxa de pobreza caiu significativamente, o analfabetismo foi reduzido, e o acesso a serviços básicos aumentou para populações que historicamente haviam sido ignoradas pelo Estado. Chávez utilizou o boom do petróleo dos anos 2000 — quando o barril chegou a ultrapassar 100 dólares — para financiar esse projeto redistributivo.

Mas o modelo carregava contradições fatais. As estatizações, executadas sem planejamento técnico e com critérios políticos, destruíram a capacidade produtiva das empresas absorvidas. A PDVSA, a estatal do petróleo e espinha dorsal financeira do país, foi esvaziada de seus quadros técnicos após a greve de 2002–2003 e repovoada com funcionários leais ao governo, sem qualificação adequada. A produção, que chegara a 3,5 milhões de barris diários, começou a declinar.

Chávez morreu de câncer em março de 2013. Deixou um país no qual os indicadores sociais haviam melhorado — mas no qual as instituições democráticas estavam progressivamente enfraquecidas, o setor privado havia sido sufocado, a dependência do petróleo havia se aprofundado e os mecanismos de controle e transparência estavam sistematicamente desmontados. Seu sucessor, Nicolás Maduro, herdaria o projeto e também os problemas — em escala dramaticamente ampliada.

VI. COLAPSO SOB MADURO

Em 2014, o preço do petróleo começou a cair. Em 2016, havia despencado mais de 70%. Para uma economia que dependia do petróleo para mais de 95% de suas exportações, o efeito foi catastrófico. A Venezuela entrou em colapso econômico acelerado: hiperinflação que chegou a 1.700.000% ao ano em 2018, gerou desabastecimento generalizado de alimentos e medicamentos, colapso do sistema de saúde e êxodo em massa.

Entre 2012 e 2023, o PIB venezuelano contraiu-se em mais de 80% — uma recessão de proporções raramente vistas fora de países em guerra. Mais de 7,6 milhões de venezuelanos deixaram o país — o maior êxodo da história recente da América Latina, comparável em escala ao das guerras da Síria e do Afeganistão.

O sistema elétrico, construído sobre a hidrelétrica de Guri nos anos 1960 e nunca adequadamente modernizado, entrou em colapso. Em 2024, estimativas não oficiais apontavam para cerca de 200 apagões diários em todo o país. Estados como Zulia ficaram sem energia confiável por mais de 15 anos. Hospitais não tinham como manter equipamentos funcionando; comunidades inteiras perderam acesso à água encanada. O gasto em infraestrutura caiu 90% entre 2010 e 2020, segundo o FMI.

Maduro respondeu à crise com repressão crescente. Opositores foram presos, a Assembleia Nacional foi esvaziada, eleições foram manipuladas. Em 2019, o país ficou dividido entre dois presidentes que reivindicavam legitimidade — Maduro e Juan Guaidó, reconhecido por dezenas de países. O impasse político alimentou ainda mais a paralisia econômica.

Nicolás Maduro

Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos conduziram uma operação militar em Caracas e capturaram Nicolás Maduro, que foi extraditado para Nova York para enfrentar acusações de narcotráfico e narcoterrorismo em tribunal federal. A vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o governo. Analistas advertiram que a captura de Maduro não significaria o fim imediato do regime nem a restauração automática da democracia — e os meses seguintes confirmaram esse prognóstico.

Foi nesse país — sem governo plenamente legítimo, com infraestrutura destruída, com 7,9 milhões de pessoas dependendo de ajuda humanitária urgente — que o terremoto de 24 de junho de 2026 chegou.

VII. QUANDO A TERRA TREMEU

Os terremotos não escolhem seus alvos — mas o grau de destruição que causam é, em larga medida, uma escolha coletiva. É a soma de todas as decisões políticas, de todos os investimentos não feitos em infraestrutura, de todos os edifícios construídos sem normas antisísmicas adequadas, de todos os hospitais que funcionavam na precariedade.

La Guaira, o porto que concentrou alguns dos piores danos do terremoto de junho de 2026, já havia sido devastada por uma tragédia anterior: em 1999, uma combinação de chuvas torrenciais e deslizamentos matou entre 10 mil e 50 mil pessoas na mesma região costeira. A reconstrução nunca foi completada. Os prédios que colapsaram em 2026 eram os mesmos que já estavam comprometidos há décadas.

A resposta internacional ao terremoto foi expressiva: os Estados Unidos enviaram navios de guerra, aeronaves de transporte e 150 milhões de dólares em ajuda. A OPAS mobilizou equipes de emergência. Organizações humanitárias de múltiplos países chegaram ao país. Mas há um paradoxo cruel nisso: a comunidade internacional que hoje chega com socorro é, em partes, a mesma que aplicou sanções econômicas durante anos — sanções que, independentemente de seu mérito político, contribuíram para deteriorar ainda mais a capacidade do Estado venezuelano de manter infraestrutura funcional.

"A catástrofe do terremoto vem se somar a necessidades humanitárias subjacentes que já existiam", alertou um relatório do UNICEF publicado horas após o desastre.

A história venezuelana é uma história de oportunidades desperdiçadas, de riquezas transformadas em instrumentos de dominação em vez de desenvolvimento, de democracias que prometiam inclusão e entregaram clientelismo, de revoluções que prometiam justiça e produziram novas formas de controle. Cada crise — o Caracazo, a implosão chavista, o colapso madurista — foi ao mesmo tempo consequência das anteriores e semente das seguintes.

O terremoto de 24 de junho de 2026 não é uma ruptura nessa história. É sua continuação em outra linguagem — a linguagem da geologia, que fala sem eufemismos e sem ideologia. As falhas do subsolo são, afinal, apenas o espelho das falhas que a Venezuela construiu sobre elas.


FONTES E REFERÊNCIAS

As principais referências consultadas para esta reportagem incluem:

• Wikipedia: Terremotos de Venezuela de 2026 — https://es.wikipedia.org/wiki/Terremotos_de_Venezuela_de_2026

• PAHO/OPS: Respuesta ante el terremoto en Venezuela 2026 — https://www.paho.org/es/terremotos-venezuela-2026

• Al Jazeera: Venezuela earthquakes updates, jun. 2026 — https://www.aljazeera.com/news/liveblog/2026/6/25/venezuela-earthquakes-live

• UNICEF Venezuela Humanitarian Situation Report No.1, jun. 2026 — https://reliefweb.int/report/venezuela-bolivarian-republic/unicef-venezuela-humanitarian-situation-report-no1-earthquake-25-june-2026

• The Conversation: Was Venezuela struck by an earthquake 'doublet'? — https://theconversation.com/was-venezuela-struck-by-an-earthquake-doublet-heres-what-we-know-so-far-286136

• Brewminate: Colonized Venezuela – Three Centuries Under the Spanish Crown — https://brewminate.com/colonized-venezuela-three-centuries-under-the-spanish-crown-1520-1821/

• AAIHS: La Afrovenezolanidad – A Historiography of the Black Experience in Venezuela — https://www.aaihs.org/la-afrovenezolanidad-a-historiography-of-the-black-experience-in-venezuela/

• Age of Revolutions: A Hidden Caribbean Revolution? Race and Revolution in Venezuela, 1789–1817 — https://ageofrevolutions.com/2018/05/14/a-hidden-caribbean-revolution-race-and-revolution-in-venezuela-1789-1817/

• Springer Nature: Political Polarisation, Colonial Inequalities and the Crisis of Modernity in Venezuela — https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-319-61536-3_7

• Di John, Jonathan. From Windfall to Curse?: Oil and Industrialization in Venezuela, 1920 to the Present. Penn State University Press, 2009.

• Baker Institute: Venezuela's Oil Mythologies Have Hindered Its Development — https://www.bakerinstitute.org/research/venezuelas-oil-mythologies-have-hindered-its-development

• Centro Cultural de la Cooperación: La Venezuela pactada — https://www.centrocultural.coop/revista/20/la-venezuela-pactada-entre-el-punto-fijo-y-el-paquete-neoliberal

• Council on Foreign Relations: Venezuela – The Rise and Fall of a Petrostate — https://www.cfr.org/backgrounders/venezuela-crisis

• Wikipedia: Venezuelan refugee crisis — https://en.wikipedia.org/wiki/Venezuelan_refugee_crisis

• Asia Times: Anatomy of an economic suicide – Venezuela under Maduro — https://asiatimes.com/2026/01/anatomy-of-an-economic-suicide-venezuela-under-maduro/

• Infobae: Captura del dictador Nicolás Maduro — https://www.infobae.com/venezuela/2026/01/04/captura-del-dictador-nicolas-maduro-no-representara-el-fin-inmediato-del-regimen

• The New Humanitarian: What next for the humanitarian crisis in Venezuela? — https://www.thenewhumanitarian.org/analysis/2026/01/14/humanitarian-crisis-response-venezuela-analysis-post-maduro

• NPR: Venezuela earthquakes death toll climbs, 26 jun. 2026 — https://www.npr.org/2026/06/26/nx-s1-5870651/venezuela-earthquakes-caracas

• Human Rights Watch: World Report 2024 – Venezuela — https://www.hrw.org/world-report/2024/country-chapters/venezuela

• USGS/PAGER: Seismic hazard assessment, June 24, 2026