Jovens de 11 estados brasileiros participam de formação da Palmares Lab para a COP31

Programa reuniu 20 lideranças climáticas de territórios amazônicos e nordestinos em preparação para acompanhar as negociações internacionais sobre mudanças climáticas na Turquia

Vinte jovens de onze estados brasileiros participaram de um workshop promovido pela Palmares Lab como parte do Programa de Formação para a COP31. A iniciativa reuniu lideranças climáticas dos biomas Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica para uma formação sobre mecanismos internacionais de enfrentamento às mudanças climáticas e as principais trilhas de negociação da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

A COP31 será realizada entre os dias 9 e 20 de novembro, em Antalya, na Turquia. O programa da Palmares Lab tem como objetivo preparar os jovens para acompanhar as sessões de negociação da conferência e ampliar a participação de lideranças dos territórios nas discussões sobre governança climática global.

Realizado como primeira atividade do programa, o workshop abordou mecanismos internacionais e processos de negociação relacionados à agenda climática, com ênfase nas pautas de justiça climática e nas demandas construídas a partir dos territórios.

A formação reuniu jovens de terreiros, quilombos, periferias e outros espaços de atuação comunitária. Do total de participantes, 75% são amazônidas, com origens no Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia e Tocantins. Os demais 25% são provenientes de estados do Nordeste: Ceará, Paraíba, Sergipe, Pernambuco e Alagoas.

Segundo a Palmares Lab, cerca de 70% dos participantes se autodeclaram LGBTQIAPN+, característica que reforça a proposta do programa de impulsionar lideranças historicamente sub-representadas nos espaços de decisão sobre políticas climáticas.

Além das atividades de formação, o programa prevê monitoria técnica e elaboração de projetos relacionados às agendas de clima, com o objetivo de fortalecer a atuação dos jovens nos debates nacionais e internacionais sobre mudanças climáticas.

Imagem: Divulgação


Participantes

Integram o Programa de Formação para a COP31:

  • Mirela Mariano de Melo — João Pessoa (PB)

  • Thaís Roberta da Costa Carvalho — Belém (PA)

  • Pedro Vinícius Bertulino de Menezes — Aracaju (SE)

  • Dayo Caeu — Belém (PA)

  • Nick Anjos da Silva — Manaus (AM)

  • Lorran de Oliveira Tavares — Macapá (AP)

  • Silas Barbosa — Manaus (AM)

  • Samantha Juliane da Anunciação Sales de Vilhena — Belém (PA)

  • Flora Luena Santos Rodrigues da Silva — Recife (PE)

  • Alexandre Pereira Mafra — Belém (PA)

  • Wilians de Aguiar Santana — São Miguel do Guaporé (RO)

  • Richele Barroso — Brasileia (AC)

  • Pedro Jhonney — Marechal Thaumaturgo (AC)

  • Sabrina Cabral Souza — Fortaleza (CE)

  • Verena Maria Manolaque Meirelles — Maceió (AL)

  • Maria Paula Ribeiro Bastos — Belém (PA)

  • Rebeca Borges Martins — Palmas (TO)

  • Layse Loiane Silva de Assis — Ananindeua (PA)

  • Paulo Cardoso — Santana (AP)

  • Amanda Cardoso — Belém (PA)

A iniciativa dá continuidade a ações anteriores da Palmares Lab voltadas à formação e ao financiamento de jovens para atuação em espaços internacionais de debate climático. Edições anteriores, por exemplo, ofereceram bolsas de R$ 5 mil para apoiar a participação em atividades internacionais, incluindo a presença de jovens da Aliança de Juventudes por Governança Energética na COP30.

Para Dayo Caeu, participante desta edição, a formação contribuiu para aproximar temas das negociações climáticas de jovens que historicamente encontram barreiras para acessar esses espaços.

“Ter acesso a esse workshop foi como abrir uma porta que há muito tempo não encontrava a chave. Foi enriquecedor ouvir as meninas falando sobre temas que pareciam tão distantes de mim, mas que são tão importantes. Penso que é um passo que eu dou, mas que as minhas articulações também dão”, afirmou.

O participante também destacou a importância de iniciativas de formação voltadas a pessoas dissidentes e moradores de periferias. “Sempre penso em fazer formações como essa, que são dificultadas para nós, pessoas dissidentes e de periferia, como uma oportunidade de compartilhar conhecimentos com nossos iguais”, completou.

A preparação ocorre nos meses que antecedem a COP31, quando representantes de governos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais, comunidades tradicionais, pesquisadores e outros atores se reúnem para discutir compromissos e políticas de enfrentamento à crise climática em escala global.